Na varanda ela estica os braços em direção à luz. Umas andorinhas sobrevoam o rio. É verão. A pele muito branca se alaranja. Ela pensa no amor? Em nada. Fecha os olhos e respira a umidade pesada que a molda, que deixa molhados o rosto, os olhos, a pele do colo. Esfrega as mãos contra o rosto, as coxas, sente o sal da pele misturado ao gosto ocre do suor. Quase uma carícia. Mas as mãos têm o peso das águas. Ela é toda um rio. Submersa. O sol a cega. Tem uns olhos claros, da cor das águas. Verdes. O homem sentado à sua frente observa. Percebe a pele alva sob o vestido azul. Tem uns olhos obtusos. Duros. A mulher se movimenta. Busca com o corpo o gesto imóvel daqueles olhos.
--- A imobilidade da superfície de um rio que corre ---
--- A imobilidade da superfície de um rio que corre ---
